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sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

QUANDO QUEM AMAMOS PARTE

É prudente, quando somos desapontados em uma coisa, colocar contra esta uma expectativa esperançosa de outra, como o fazendeiro que disse: "Se as ervilhas não valem à pena, esperemos que as vagens deem certo." Contudo, seria inútil consertar uma expectativa má com outra de igual caráter, pois isso só faria pior o rombo. E melhor ir das ficções do mundano otimista aos fatos do crente na palavra do Senhor.

Então, se não achamos lucro em nosso comércio com o mundo, podemos nos fiar confiantes no tesouro de nosso coração no céu. Podemos até perder nosso ouro, mas nunca podemos perder nosso Deus. A expectativa do justo é do Senhor, e nada que vem dele falhará jamais.

Conheci uma pessoa que fez de sua filha um ídolo, e quando ela ficou doente e morreu, ele se revoltou e o resultado foi que ele próprio morreu. Expectativas que se penduram sobre o frágil direito de posse de uma vida humana podem encher nosso copo de absinto se tomam todo o nosso pensamento. Será que este pai não podia reconhecer a mão do Senhor na retirada de sua criança, e não poderia ter antes moderado suas expectativas com respeito a ela? Poderia ter vivido em felicidade com os outros de sua família, e ter sido um exemplo de santa paciência.

Pr. Charles Haddon Spurgeon

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

O eu X a fé


A fé nunca será tímida se o "eu" for tímido, porém quando o nosso "eu" é forte, a fé não fica forte; posto que o "eu" é muito semelhante àquilo que os jardineiros chamam de "parasita" no alto de uma árvore: sem jamais produzir fruto, rouba o alimento da própria árvore.


O "eu" é esse parasita que desvia o alimento da fé. Ele precisa ser cortado fora ou você será sempre alguém de "pequena fé" e terá dificuldade em manter sua alma consolada.

Pr. Charles Haddon Spurgeon

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

O que tuas amizades ensinam sobre você?


Companheiro sou de todos os que te temem e dos que guardam teus preceitos.
Salmos 119.63


Companheiro sou de todos os que te temem. O último versículo diz: "Levanto-me"; e este diz: "Eu sou". É difícil nutrir certeza quanto ao futuro, a menos que estejamos certos agora. O santo homem gastava suas noites com Deus e seus dias com o povo de Deus. Os que temem a Deus amam os que o temem, e fazem uma seleção muito diminuta do número de seus companheiros sobre a base de serem eles homens tementes a Deus. Davi era um rei, não obstante era amigo de todos os que temiam ao Senhor, quer fossem obscuros ou famosos, pobres ou ricos. Ele era membro do colégio de todos os santos.

Ele não selecionou uns poucos santos especialmente eminentes e deixou os crentes comuns fora. Ele sentia-se feliz por pertencer à sociedade daqueles que tinham apenas o princípio da sabedoria na forma de "o temor do Senhor". Ele sentia-se prazeroso em sentar-se com eles nas mais humildes formas da escola da fé. Ele buscava o temor piedoso do coração, mas também esperava ver a piedade externa naqueles a quem ele admitia em sua sociedade; daí acrescentar: e dos que guardam teus preceitos. Se guardassem os mandamentos do Senhor, o servo do Senhor conservaria sua companhia. Davi tinha consciência de estar do lado piedoso; ele sempre pertencera à confraria puritana.

Os homens de Belial o odiavam por isso, e sem dúvida o desprezavam por conservar essa incomensurável companhia de homens e mulheres humildes, escrupulosos e religiosos; mas o homem de Deus de forma alguma se envergonhava de seus associados; por isso até mesmo se gloriava em confessar sua união com eles — que seus inimigos façam o que puderem com ela. Ele encontrou prazer e proveito nessa santa sociedade; ele cresceu mais associando-se aos bons e recebendo honra por conservar tão honrosa companhia. O que diz o leitor? Você confia nessa santa sociedade? Sente-se em casa entre essas pessoas agraciadas? Se a resposta é positiva, então você pode extrair conforto desse fato. As aves da mesma espécie se mantêm juntas. Uma pessoa é conhecida pela companhia que mantém. Os que não nutrem o temor de Deus em seu coração dificilmente desejarão a companhia dos santos; isso seria muito desconcertante; seria maçante demais. Eis nosso conforto quando somos entregues à morte: congregar-nos-emos com aqueles que amaram os santos na terra; seremos contados em seu número nas regiões celestiais.

Pr. Charles Haddon Spurgeon

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Insultos, como você reage?


“E saberei responder a quem me insulta, pois confio em tua palavra.”

Salmos 119.42


E saberei responder a quem me insulta. Esta é uma resposta incontestável. Quando Deus, ao conceder-nos a salvação, responde nossas orações com paz, nos sentimos imediatamente preparados para dar resposta às objeções dos infiéis, aos sofismas dos cépticos e às zombarias dos escarnecedores. É muito mais desejável que os ultrajes sejam respondidos, e daí podemos esperar que o Senhor salve seu povo a fim de que uma espada seja posta em suas mãos com a qual disperse seus inimigos.

Quando os que nos humilham são também humilhados por Deus, podemos rogar-lhe que nos ajude a silenciá-los com provas incontestáveis de sua misericórdia e fidelidade.

Pois confio em tua palavra. Sua fé foi vista por ser ele confiante enquanto se achava sob provação, e roga que pudesse repelir os escarnecedores através de uma experiência feliz. A fé é nosso argumento quando buscamos as misericórdias e a salvação; fé no Senhor que nos fala em sua Palavra. "Confio em tua palavra" é uma declaração mais digna de se fazer do que qualquer outra; pois aquele que pode realmente fazê-la certamente recebeu o poder de tornar-se filho de Deus e ser assim herdeiro das misericórdias infinitas.

Deus nutre mais respeito pela confiança de uma pessoa do que por tudo mais que se acha nela; pois o Senhor escolheu a fé para ser a mão aberta a receber suas misericórdias e sua salvação. Se alguém nos reprova por confiarmos em Deus, repliquemo-lhe com argumentos conclusivos, mostrando que Deus cumpriu suas promessas, ouviu nossas orações e supriu nossas necessidades. Ainda o mais céptico se vê forçado a curvar-se diante da lógica dos fatos.

Neste segundo versículo desta oitava, o salmista faz uma confissão de fé, e uma declaração de sua certeza e experiência. Note que ele faz o mesmo nos versículos correspondentes das seções que se seguem. Veja o versículo 50: "Tua palavra me vivifica"; versículo 58: "Imploro tua graça"; versículo 66: "Pois creio em teus mandamentos"; versículo 74: "Porque em tua palavra tenho esperado." Um sábio pregador pode encontrar nestas expressões uma valiosa série de sermões em torno da experiência humana.

Pr. Charles Haddon Spurgeon

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Você tem medo de más notícias?


"Não se atemoriza de más notícias."
Salmo 112.7

Cristão, você não deve temer a chegada de más notícias; porque, se você está angustiado por elas, o que dizer dos outros homens? Os outros homens não têm o seu Deus a quem recorrer; eles nunca provaram sua fidelidade como você provou, e não é de surpreender que eles estejam ajoelhados com alarma e encolhidos de medo. Mas você professa ser de outro espírito; você foi gerado novamente para uma viva esperança, e seu coração vive no céu, e não nas coisas terrenas.

Pois bem, se você for visto confuso como os outros homens, onde está o valor daquela graça que você professa ter recebido? Onde está a dignidade daquela nova natureza que você alega possuir?

Novamente, se tiver de ficar alarmado, como os outros ficam, você será levado, indubitavelmente, aos pecados tão comuns aos outros sob circunstâncias penosas. Os incrédulos, quando são surpreendidos por más notícias, rebelam-se contra Deus; murmuram e pensam que Deus os trata com aspereza. Você cairá neste mesmo pecado? Você provocará o Senhor como eles fazem?

Além disso, os homens não-convertidos geralmente correm para os meios errados a fim de escapar das dificuldades, e você certamente fará o mesmo se a sua mente ceder à pressão atual. Confie no Senhor e espere pacientemente por Ele. Seu procedimento mais sábio é fazer como Moisés fez no mar Vermelho: "Aquietai-vos e vede o livramento do Senhor." Pois, se você ceder ao medo quando ouvir as más notícias, será incapaz de enfrentar o problema com aquela calma compostura que estimula para o dever e sustenta sob a adversidade.

Como pode você glorificar a Deus, se age como o covarde? Os santos têm muitas vezes cantado os altos louvores de Deus com ardor, mas sua dúvida e desalento, como se não tivesse ninguém para ajudá-lo, exaltaria o Altíssimo? Portanto, tenha coragem, respaldado em segura confiança da fidelidade de seu Deus da aliança, "não se turbe o seu coração, nem se atemorize".

Pr. Charles Haddon Spurgeon

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Um completo estranho ao evangelho.


"Feliz és tu, ó Israel! Quem é como tu? Povo salvo pelo Senhor."
Deuteronômio 33.29


Aquele que afirma que o cristianismo torna os homens miseráveis é, ele mesmo, um completo estranho a ele. Teria sido estranho, por certo, se nos tivesse feito desprezíveis, porém vejamos a que posição ele nos enaltece! Ele faz-nos filhos de Deus.

Suponha que Deus tivesse dado toda a felicidade a seus inimigos e reservasse para sua própria família toda a lamentação? Terão Seus inimigos prazer e alegria e Seus filhos nascidos no lar herdarão tristeza e desgraça? O pecador, que não tem parte em Cristo, chamar-se rico em felicidade e irmos lamentar como se fôssemos paupérrimos e pedintes?

Não, vamos regozijar-nos no Senhor sempre e gloriarmo-nos em nossa herança, pois "não recebemos o espírito de escravidão para viver outra vez atemorizados, mas recebemos o espírito de adoção, baseados no qual clamamos: Aba, Pai". A vara do castigo deve recair sobre nós em nossa medida, mas ela opera para nós os frutos confortáveis da justiça; portanto, pela ajuda do divino Consolador, nós, o "povo salvo do Senhor", alegrar-nos-emos no Deus da nossa salvação.

Somos casados com Cristo; e nosso grande Noivo permitirá que sua esposa permaneça em constante aflição? Nosso coração está costurado ao dele: somos membros dele, e, embora por algum tempo possamos sofrer como nosso Cabeça sofreu uma vez, somos mesmo agora abençoados com bênçãos celestiais nele. Temos a seriedade da nossa herança nas consolações do Espírito, que não são nem poucas nem pequenas. Herdeiros da alegria para sempre, temos antegozado nossa porção.

Há fachos de luz de alegria para anunciar nosso eterno nascer do sol. Nossas riquezas estão além do mar; nossa cidade com firmes fundações estende-se do outro lado do rio; raios de glória do mundo dos espíritos animam nosso coração e instam-nos a avançar. Verdadeiramente é dito a nosso respeito: "Feliz és tu, ó Israel! Quem é como tu? Povo salvo pelo Senhor?"

Pr. Charles Haddon Spurgeon

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Você já se pesou hoje?


"Pesado foste na balança e achado em falta."
Daniel 5.27


É conveniente pesar-nos com freqüência na balança da Palavra de Deus. Você achará um santo exercício ler algum salmo de Davi e, enquanto medita sobre cada versículo, pergunte a si mesmo: "Posso dizer isto? Já me senti como Davi? Meu coração penitenciou-se por causa do pecado, como o dele quando escrevia seus salmos de penitência?


Minha alma tem sido tomada de verdadeira confiança na hora da dificuldade, como a dele quando entoou as misericórdias na cova de Adulão, ou nas cavernas de En-Gedi? Tomo o cálice da salvação e invoco o nome do Senhor?" Então volte-se para a vida de Cristo e, enquanto lê, pergunte a si mesmo em que proporção você está conformado à sua semelhança. Empenhe-se em descobrir se tem a mansidão, a humildade, o espírito amoroso que Ele constantemente inculcava e demonstrava.


Tome, então, as epístolas e veja se pode acompanhar o apóstolo no que ele disse sobre sua experiência. Alguma vez você exclamou como ele - "Desventurado homem que sou! quem me livrará do corpo desta morte?" Você já se sentiu humilhando-se a si mesmo? Você tem visto a si mesmo como o principal dos pecadores e inferior ao menor dos santos? Você conheceu alguma coisa da sua devoção? Poderia você juntar-se a ele e dizer: "Para mim o viver é Cristo, e o morrer é lucro"?


Se lemos assim a Palavra de Deus como um teste de nossa condição espiritual, temos boa razão para fazer uma pausa, às vezes, e dizer: "Senhor, sinto que nunca antes experimentei isso. Faze-me experimentá-lo! Dá-me verdadeira penitência, tal como esta sobre a qual li. Dá-me fé real; zelo mais ardente; inflama-me com amor mais fervoroso; concede-me a graça da mansidão; faze-me mais como Jesus.


Não permitas mais que eu seja 'achado em falta', quando pesado nas balanças do santuário, para que não seja achado em falta nas balanças do julgamento." "Não julgueis, para que não sejais julgados."

Pr. Charles Haddon Spurgeon

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Você não define o que é certo ou errado!

Um último traço pelo qual o Apóstolo caracteriza os falsos irmãos de Filipos é este: Eles põem sua glória naquilo que é enganoso.
 
Ele tira vaidade de seus próprios pecados; mais ainda: ele os chama de virtudes. Sua hipocrisia ele chama de retidão; seu falso zelo, de fervor. Os sutis venenos de Satanás, ele os reveste da etiqueta dos santos remédios de Cristo. O que ele chama de vício nos outros, nele mesmo ele considera como qualidade.
 
Ele cuida de realçar a menor fraqueza na conduta do outro; ninguém o ultrapassa em habilidade; e enquanto ele acaricia à vontade seu pecado favorito, ele olha as faltas de seus irmãos através de uma lente de aumento. Quanto à sua própria conduta, ela não diz respeito a ninguém. Ele pode pecar impunemente; e se seu pastor, por acaso, lhe faz alguma observação, ele se indigna e o acusa de calúnia. As observações, não mais que as advertências, jamais o atingem.
 
Quem ousaria colocar em dúvida sua piedade? Oh! Meus irmãos, meus irmãos, não façam, pura ilusão! Muitos pretensos membros de Igreja serão um dia membros do inferno. Muitos homens admitidos em uma, ou outra, de nossas comunidades cristãs, que receberam a água do batismo, que se aproximam de nossa mesa sagrada, que talvez, mesmo, tenham a reputação de estarem vivos, não estão menos mortos, em relação ao espiritual, que os cadáveres em seus sepulcros.
 
Hoje em dia é fácil se fazer passar por um filho de Deus! No lugar da renúncia, do amor por Cristo, da mortificação da carne, o pouco que se exige é aprender alguns cânticos, aprender algumas banalidades piedosas, algumas frases convencionadas, e vocês se imporão, mesmo aos eleitos. Filiem-se a uma Igreja qualquer; mostrem uma conduta exterior, de tal sorte que lhes possam considerar respeitável, e se vocês não conseguirem enganar os mais lúcidos, ao menos terão uma reputação de piedade bem estabelecida para lhes permitir andar com o coração aliviado e a consciência à vontade, no caminho da perdição.
 
Eu sei, meus amados, que eu digo coisas duras, mas são coisas verdadeiras; por isso não posso calar. Meu sangue borbulha algumas vezes em minhas veias, quando encontro homens cuja conduta me dá vergonha, ao lado de quem eu ousaria apenas me sentar, e que, no entanto, me tratam, com convicção, de "Irmão". O quê? Eles vivem no pecado, e chamam um cristão de irmão! Oro a Deus que lhes perdoe seu desvio de conduta; mas eu declaro - eu não posso de jeito algum me confraternizar com eles, e nem quero, até que se conduzam de uma maneira digna de sua vocação.
 
Certamente, todo o homem que faz de seu ventre um Deus e que põe sua glória naquilo que é enganoso, é completamente culpado; mas quando esse homem se veste com a roupa da religião, quando conhece a verdade, a qual ele ensina como necessária, faz abertamente profissão de ser um servo de Cristo, quanto mais culpado é ele! Vocês conseguem conceber, meus irmãos, um crime mais atroz que aquele do hipócrita audacioso que, mentindo a Deus e à sua consciência, declara solenemente que pertence ao Senhor e que o Senhor lhe pertence, depois vai viver como vive o mundo, anda seguindo o curso do presente século, comete as mesmas injustiças, persegue os mesmos objetivos, usa dos mesmos meios que aqueles que não são chamados pelo nome de Cristo?
 
Ah! Se houvesse nesta assembléia alguém que devesse confessar que este é o seu pecado; que chore, sim, que chore lágrimas de sangue, porque a enormidade de seu crime é maior do que poderíamos dizer!

Pr. Charles Haddon Spurgeon

domingo, 28 de outubro de 2012

Por que isso está acontecendo comigo


"Todos os filhos de Israel murmuraram."
Números 14.2


Há murmuradores entre os cristãos agora, como houve no antigo acampamento de Israel. Há aqueles que, quando a vara cai sobre eles, reclamam contra a situação aflitiva. Perguntam: "Por que estou sendo assim afligido?

O que fiz para ser castigado desta maneira?" Uma palavra para você, ó murmurador! Por que murmura contra as dispensações de teu Pai celestial? Pode Ele tratá-lo mais duramente do que merece? Considere o rebelde que você já foi, e, no entanto, Ele o perdoou! Certamente, se Ele, em sua sabedoria, considera apropriado este sofrimento agora, você não deve queixar-se. Afinal de contas, foi você poderia estar sofrendo tão asperamente quanto seus pecados merecem?

Considere a corrupção que há em seu peito, e então se surpreenderá de que haja necessidade de mais reprimenda por vir à luz? Avalie-se e reconheça quanta escória está misturada com seu ouro; imagina o fogo mais forte necessário para purgar a escória que carrega? Esse seu orgulhoso espírito rebelde não prova que o seu coração não está completamente santificado?

Essas palavras queixosas não são contrárias à natureza submissa dos filhos de Deus? Não é necessária a correção? Mas, se murmurar contra o castigo, esteja atento, pois ele será mais drástico para os murmuradores. Deus sempre castiga seus filhos duas vezes, se não suportarem pacientemente a primeira vergastada. Mas saiba uma coisa: "Ele não aflige com disposição, nem magoa os filhos dos homens." Todas as suas correções são enviadas em amor, para purificá-lo e atraí-lo para mais perto dele.

Certamente, isto deve ajudá-lo a suportar o castigo com resignação, se é capaz de reconhecer a mão de seu Pai. Pois "o Senhor corrige a quem ama e açoita a todo filho a quem recebe. É para disciplina que perseverais (Deus vos trata como a filhos]" (Hebreus 12.5-7). "Nem murmureis, como alguns deles murmuraram e foram destruídos pelo exterminador" (1 Coríntios 10.10).

Pr. Charles Haddon Spurgeon

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Já tomou banho hoje?


Poucas vezes você desce de uma leitura solitária da Bíblia sem sentir que se aproximou de Deus. Digo solitária, pois o perigo de ler com outras pessoas é que os comentários sem interesse possam ser como moscas no pote de unguento  O estudo da Palavra com oração não é apenas um meio de instrução, mas também um ato de devoção no qual o poder transformador da graça é muitas vezes exercido, nos mudando à imagem daquele em quem a Palavra é espelhada. Por fim, será que há algo que seja como a Palavra de Deus quando livros abertos encontram corações abertos? Quando leio sobre as vidas de homens tais como Baxter, Brainerd, McCheyne e muitos outros, eu me sinto como alguém que se banhou em algum riacho fresco depois de ter feito uma viagem através de um campo árido que o deixou empoeirado e deprimido; e isso é resultado do fato de que tais homens incorporaram a Bíblia em suas vidas e a ilustraram em sua experiência.

         O lavar-se pela Palavra foi o que eles tiveram, e é o que nós precisamos. Precisamos obter isso no lugar em que eles o encontraram. Ver os efeitos da verdade de Deus nas vidas de homens santos confirma a fé e estimula a aspiração santa. Não há outras influências que nos ajudem a chegar a tão sublime ideal de consagração. Se você ler os livros babilônicos de hoje, alcançará o espírito deles, e é um espírito estranho que o desviará do Senhor seu Deus. Você também pode sofrer grande dano com sacerdotes que têm a pretensão de falar o dialeto de Jerusalém, mas metade de sua mensagem é de Asdode: eles confundirão sua mente e profanarão sua fé. Pode acontecer que um livro que em seu todo seja excelente, com poucas máculas, possa lhe fazer mais mal do que um completamente mau. Cuide-se, obras dessa natureza são lançadas como nuvens de gafanhotos.

         Quase não se pode achar nesses dias um livro que seja inteiramente isento do levedo moderno, e a menor partícula dele fermenta até produzir o erro mais insano. Ao ler livros da nova ordem, embora possa não aparecer nenhuma mentira palpável, você fica consciente de estar recebendo uma distorção e um declínio no tom de seu espírito, portanto, esteja alerta. Mas com a Bíblia você sempre pode estar descansado; ali todo sopro de cada direção traz vida e saúde. Se você se conserva próximo do livro inspirado, não sofrerá mal algum; ao contrário, estará no manancial de todo bem moral e espiritual. Isso é alimento adequado para homens de Deus: é o pão que nutre a vida mais elevada.

Pr. Charles Haddon Spurgeon

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Por que Reina o vazio, o caos, o nada?


Eu vejo um mundo cheio de brilho, beleza e esplendor, onde suas montanhas riem ao sol e seus vales são banhados por uma atmosfera de ouro. Virgens dançam sob as sombras e jovens cantam em coro. Oh! Maravilhosa visão!

Mas, subitamente um velho de aspecto grave e respeitável aparece em cena. Ele levanta sua mão e grita : Em breve um dilúvio vai cair sobre a terra e as fontes do grande abismo se romperão; as águas cobrirão todas as coisas. Estão vendo esta arca? Durante 120 anos trabalhei com minhas próprias mãos para construí-la. Apressem-se e nela busquem refúgio e serão salvos. Ah ! Velho crédulo, que temos nós contigo? Lhes respondem zombando. Deixe-nos aproveitar a vida em paz. Pensaremos no dilúvio quando ele vier. Mas ele não virá, nós sabemos. Vá profetizar a outros.

E a multidão despreocupada, retoma seus cantos e danças. Mas ouçam, incrédulos! Vocês ouvem esse barulho surdo e estranho? As entranhas da terra começam a perturbar-se; seus vastos flancos estão sendo devastados por terríveis convulsões internas. Cedendo a uma tensão enorme, elas eclodem, e águas concentradas, que desde o dia em que Deus as confinou no interior do globo, jamais haviam aflorado, escapam por todas as partes em torrentes impetuosas. E a abóbada celeste! Ela é fendida ao meio. E chove, não apenas gotas de água, mas torrentes de nuvens inteiras. Uma catarata, mais potente que a de Niágara, se precipita do firmamento com um clamor terrível. 

Os dois abismos  o abismo de cima e o abismo de baixo  se encontram e dão as mãos. Onde estão vocês agora, ó incrédulos ? Eu olho, procuro, e não vejo mais que um único homem; em pé sobre uma ponta de rocha, que se eleva solitário acima das águas. Por longo tempo sua mulher se agarrou a seu corpo, mas seu esforço foi em vão! Ela acaba de ser arrastada. Ele mesmo perde rapidamente o pé. A água atinge seu peito. Ouçam seu último grito! Ele sucumbe, se afoga e é levado pela correnteza. Então Noé, olhando da arca, não vê nada, mais nada. Reina o vazio, o caos, o nada! Os monstros marinhos se batem dentro dos palácios dos reis. Tudo está revirado, submerso, revolvido sob as águas. Qual é a causa desta terrível catástrofe? Meus irmãos, vocês disseram: é a incredulidade! Pela fé, Noé foi salvo. Pela incredulidade, o mundo pereceu.

Pr. Charles Haddon Spurgeon

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Fé vira-latas


Eu não conheço nenhuma maneira mais certa de fazer um povo perecer do que ser conduzido por alguém que não fale em linha reta e honestamente denuncie o mal, o erro, o pecado.

Se o ministro não está firme em sua posição você se surpreende que sua congregação vida indecisa? Se a força do pregador é usada para torcer a verdade para agradar a todos, você pode esperar que seu povo seja honesto? Se o pregador fixar seus olhos em suas inconsistências e não na verdade, em breve não estará endurecido como o mundo que tenta agradar?

Aqueles que tem medo de repreender o pecado, ou dar subsídio para as consciências, terá muito o que responder no Juízo eterno. Que Deus te salve de ser levado para o buraco por um guia cego. Ainda assim não é um mistura de Cristo e Belial, da verdade com o mundanismo... o “cristianismo” atual da Inglaterra?

O povo tem procurado líderes que não sejam muito precisos na proclamação da verdade, e eles se conformam confortavelmente a uma fé vira-lata, meia verdade, meio erro. A fé vira-lata acha poder abraçar meia ortodoxia, meio engano. A fé vira-lata é uma fé morta.

Deus tenha misericórdia dos homens, trazendo-os de fato para fora do mundo, porque é impossível ter um composto de mundo e de graça. “Saia do meio deles”, diz Ele, “apartai-vos; não toques nada imundo” – 2 Coríntios 6.17 –“Até quando coxeareis entre dois pensamentos? Se o SENHOR é Deus, segui-o, e se Baal, segui-o.” - 1 Reis 18:2

Não pode haver aliança entre os dois. Deus e Baal nunca podem ser amigos: “Não podeis servir a Deus e a Mamom”. “Ninguém pode servir a dois senhores”.

Todas as tentativas de compromisso ou de abrangência em questões de verdade e pureza misturando-as com os valores humanos... são fundadas sobre a mentira, a falsidade e tudo que pode vir delas. Que Deus nos salve de algo tão odioso.

Pr. Charles Spurgeon

domingo, 2 de setembro de 2012

Uma igreja "morrendo" de fome!


Em grande parte, a alienação das massas ao ouvir o evangelho se explica pelo triste fato de que nem sempre é o evangelho que ouvem quando se dirigem aos lugares de culto, e tudo o mais fracassa em fornecer o que suas almas precisam. Será que você nunca ouviu falar de um rei que fez uma série de grandes banquetes e convidou muitas pessoas, semana após semana? Ele tinha um bom número de servos encarregados de servir sua mesa; e, nos dias marcados, estes saíram e falaram com as pessoas. Mas, de alguma forma, depois de um tempo a maior parte das pessoas não vinha às festas. O número de convidados que comparecia era decrescente; a grande massa de cidadãos dava as costas aos banquetes. O rei indagou e descobriu que o alimento providenciado não parecia satisfazer os homens que vinham olhar os banquetes e, por isso, não vinham mais. Ele resolveu examinar pessoalmente as mesas e os alimentos servidos. Viu muita coisa fina e muitas peças expostas que não eram de seus armazéns. Olhou a comida e disse: "Mas o que é isso? Como esses pratos chegaram aqui? Não são do meu suprimento. Meus bois cevados foram mortos, mas não vejo carne de animais engordados, e sim carne dura de gado magro e faminto. Os ossos estão aqui, onde está a gordura e o tutano? O pão também é de má qualidade, onde está o meu que é feito do melhor trigo? O vinho está misturado com água, e a água não é de um poço limpo".
Um dos presentes respondeu: "Ó rei, achamos que o povo estaria farto de tutano e gordura, assim lhes demos osso e cartilagem para pôr seus dentes à prova. Achamos também que estariam cansados do melhor pão branco, por isso assamos uns poucos em nossas casas, nos quais deixamos o farelo e a casca dos cereais. É opinião dos doutos que nosso alimento é mais adequado a esses tempos do que aquele que vossa majestade prescreveu há tanto tempo. Em relação aos vinhos com borra, o gosto dos homens não é esse na época atual; além disso, um líquido tão transparente como a água pura é uma bebida leve demais para homens que estão acostumados a beber do rio do Egito, cujo gosto é do barro que vem das montanhas da Lua".
Assim, o rei entendeu porque as pessoas não vinham aos banquetes. Será que esse é o motivo pelo qual a casa de Deus tem se tornado tão desagradável para uma grande parcela da população? Creio que sim. Será que os servos do Senhor têm picado seus restos de miscelâneas e pequenas máculas para com isso fazer uma carne cozida para os milhões de fiéis, e, por isso, estes se afastam? Ouça o resto da minha parábola. O rei indignado exclamou: "Esvaziem as mesas! Joguem todo esse lixo para os cães. Tragam os barões da carne, mostrem minha comida real. Tirem essas bugigangas do salão e aquele pão adulterado da mesa e lancem fora a água do rio barrento". Eles fizeram como o rei mandou, e se minha parábola estiver certa, logo houve um rumor pelas ruas de que verdadeiras delícias reais eram oferecidas ali, o povo encheu o palácio e o nome do rei tornou-se de grande excelência por toda terra. Vamos experimentar esse plano. Quem sabe logo estaremos nos regozijando em ver o banquete do Mestre cheio de hóspedes.

Charles Haddon Spurgeon

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Foi bom ter sido eu afligido


Foi bom ter sido eu afligido, para que aprendesse teus estatutos.

Salmos 119.71


Foi bom ter sido eu afligido. Mesmo quando a aflição provenha de pessoas ruins, ela conduzia a fins benéficos; ainda que fosse prejudicial quando provinda de tais pessoas, para Davi ela era boa. Ele sabia muito bem que ela o beneficiava de muitas maneiras.

Quaisquer que fossem os pensamentos que lhe sobreviessem enquanto enfrentava a provação, ele tinha consciência de que era melhor assim. Não era bom ver os soberbos prosperando, pois seus corações se tornavam ainda mais sensuais e insensíveis; mas a aflição tinha um caráter positivo para o salmista.

Nosso pior nos é melhor que o melhor para os pecadores. Para os pecadores, a alegria se torna nociva; e para os santos, a tristeza é benéfica. Infindos benefícios nos têm sobrevindo através de nossas dores e tristezas; e no mais, permanece isto: que assim temos sido instruídos na lei.

Para que aprendesse teus estatutos. Nosso conhecimento e nossa observância destes estatutos nos vieram enquanto sentíamos os golpes da vara. Oramos ao Senhor para que nos instruísse (v. 66), e agora percebemos que ele já fez isso. Aliás, na verdade ele nos tem tratado bem, pois nos tem tratado de forma muito sábia. Temos sido guardados, através de nossas provações, da ignorância e de um coração seboso, e isso, se porventura não existisse nada mais, seria causa suficiente de constante gratidão. Ser engordado pela prosperidade não é saudável para a soberba; mas, em prol da verdade, ser instruído pela adversidade é saudável para a humildade. Mui pouco se tem a aprender sem aflição. Para sermos bons alunos, temos de ser bons sofredores. Como dizem os latinos: Experientia docet — a experiência ensina. Não há estrada regia para se aprenderem estatutos régios; os mandamentos de Deus são melhor lidos por olhos úmidos de lágrimas.

Pr. Charles Haddon Spurgeon

terça-feira, 24 de julho de 2012

Ele nos apresentará diante de Deus

Mais um belo texto do Pastor Charles Haddon Spurgeon.



Ele tem poder para guardá-los de tropeços, enquanto vocês andam pelo perigoso caminho que vai da terra aos céus. Quando escalamos montanhas, há estreitos atalhos, às vezes com um íngreme precipício em um dos lados. Se déssemos um passo errado, poderíamos cair em um imenso abismo. O mesmo acontece com nossas vidas espirituais. O caminho muitas vezes é difícil e escorregadio. Seria muito fácil tropeçar se o Senhor Jesus não mantivesse nossos pés firmes no chão. Quando andamos com segurança, portanto, devemos dar toda a glória a Deus que está nos guardando.

Mesmo os verdadeiros crentes são muito fracos. Vocês não são capazes de viajar por si próprios. Vocês não são capazes de ver os perigos ocultos. Precisam que o Senhor Jesus cuide de vocês e evite que caiam. Além disso, vocês têm inimigos que se escondem ao lado da estrada, prontos para aparecer e derrubá-los. Somente o Senhor Jesus pode protegê-los dos inimigos que estão sempre esperando para destruí-los. Não deveríamos louvar "aquele que é poderoso para vos guardar de tropeçar"?

Ainda que sejamos tão fracos, Ele nos levará ao céu. Este mundo em que vivemos não é nosso lar. Muitas vezes gostaríamos de deixá-lo, pois a vida aqui se torna muito difícil. Gostaríamos de ir para nosso lar celestial. O Senhor Jesus tem poder para nos levar lá! Ele lutará contra nossos inimigos para nós. Jesus nos guardará de cair no pecado, e levará todos aqueles pelos quais Ele morreu para a terra celestial. Ninguém será deixado para trás. Estaremos seguros e felizes com Ele para sempre. O Senhor Jesus nos apresentará a Deus e estaremos com aqueles que alcançaram o céu antes de nós.

Devemos notar que quando formos apresentados a Deus, estaremos imaculados. Como poderemos nós, que somos pecadores, estar sem faltas? Ã única resposta é que nosso Salvador é muito poderoso e Sua obra é sempre perfeita. Por mais pecadores que vocês sejam, se Cristo, em Sua misericórdia e graça, opera em seus corações de forma que vocês acreditem nEle, Ele os lavará em Seu sangue; isto significa que Cristo oferece Sua morte como pagamento pelos seus pecados. Vocês podem ter sido bêbados, ladrões ou adúlteros; mas agora, tendo nascido de novo por causa do que Cristo fez, aos olhos de Deus vocês serão puros, limpos e cândidos.

Mas há algo mais. Não basta que um homem esteja sem faltas, sem pecados. Ele precisa ter boas qualidades também. Ele não chegará ao céu somente porque seu pecado foi perdoado. Ele deve também ser obediente aos mandamentos de Deus. Entretanto como não temos poder para guardar a lei de Deus perfeitamente, como podemos esperar que chegaremos ao céu? Apenas porque o Senhor Jesus Cristo viveu uma vida perfeita a nosso favor. Ele guardou a lei de Deus, e Deus em Sua grande misericórdia considera a obediência de Cristo com relação à Sua lei como se fosse nossa própria obediência. Ele a atribui a nós.

Assim, duas coisas aconteceram. Cristo morreu pelos nossos pecados para que pudéssemos ser perdoados; Cristo viveu uma vida perfeita, e agora Deus nos olha como se tivéssemos levado uma vida assim, e Ele nos aceita.

O melhor de tudo, porém, é o fato de que Deus nos tomará em novas pessoas. Por causa de Cristo, Deus nos aceita como inculpáveis e bons. Então, Ele também coloca em nossos corações o desejo de sermos santos e bons. Enquanto vocês viverem na terra, embora não queiram pecar, ainda assim a maldade estará em seus corações, tentando fazer com que cometam coisas pecaminosas que na verdade não querem. Em Romanos, capítulo 7, o apóstolo Paulo nos diz que quando quis fazer o bem, o mal estava presente nele, e ele fez o que detestava.

Um dia, todo o mal em vocês terá desaparecido para sempre. Isto só acontecerá quando estes corpos pecaminosos morrerem e estivermos com nosso Salvador no céu. Quando O virmos, seremos como Ele. Que alegria será para nós! Portanto, devemos dizer novamente com Judas: "Ora, àquele que é poderoso para vos guardar de tropeçar... glória, majestade, império e soberania, antes de todas as eras, e agora, e por todos os séculos."

Quando chegarmos ao céu, entenderemos muito mais do que agora. Olharemos para trás e veremos todas às vezes nos quais fomos guardados de cair no pecado. Louvaremos o Senhor Jesus que nos guardou. Mas mesmo agora, nesta vida, devemos lembrar que Ele nos segura firmes, e não nos abandonará.

Em seguida, vejamos como o Senhor Jesus nos apresentará diante de Deus. Judas diz que será com muita exultação. Quem vocês acham que sentirá essa exultação? Todo cristão sincero e sentirá. Todos os que já leram a Bíblia cuidadosamente conhecem a Parábola do Filho Pródigo. Quem estava mais feliz na festa que o pai preparou para seu Filho que agora voltara para casa? O filho pródigo. Ele mal podia acreditar que seu pai ainda conseguia amado depois de ter sido tão ingrato e pecador.

O mesmo acontecerá conosco quando Deus, nosso Pai, nos trouxer para o lar que preparou para nós no céu. Olharemos para nossas vidas na terra. Pensaremos como fomos ingratos e como nos afastamos do Senhor Jesus Cristo. Então pensaremos como ainda assim Ele nos amou e por fim nos trouxe ao céu. O pecado, a tentação e o diabo, que sempre foram nossos inimigos, terão desaparecido, e seremos mais felizes do que jamais pensamos que poderíamos ser. Vocês deveriam estar muito felizes agora também, ao lembrarem que quando os problemas da vida acabarem, vocês serão felizes no céu eternamente.

sábado, 21 de julho de 2012

Alimentando as Ovelhas ou Divertindo os Bodes


Texto escrito por volta de 1870 pelo Príncipe dos Pregadores, Pr. Charles Haddon Spurgeon, e extremamente atual, deleitem-se nele.

Existe um mal entre os que professam pertencer aos arraiais de Cristo, um mal tão grosseiro em sua imprudência, que a maioria dos que possuem pouca visão espiritual dificilmente deixará de perceber. Durante as últimas décadas, esse mal tem se desenvolvido em proporções anormais. Tem agido como o fermento, até que toda a massa fique levedada. O diabo raramente criou algo mais perspicaz do que sugerir à igreja que sua missão consiste em prover entretenimento para as pessoas, tendo em vista ganhá-las para Cristo.
A igreja abandonou a pregação ousada; em seguida, ela gradualmente amenizou seu testemunho; depois, passou a aceitar e justificar as frivolidades que estavam em voga no mundo, e no passo seguinte, começou a tolerá-las em suas fronteiras; agora, a igreja as adotou sob o pretexto de ganhar as multidões.
Minha primeira contenção é esta: as Escrituras não afirmam, em nenhuma de suas passagens, que prover entretenimento para as pessoas é uma função da igreja. Se esta é uma obra cristã, por que o Senhor Jesus não falou sobre ela?

"Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura" (Mc 16.15)

isso é bastante claro. Se Ele tivesse acrescentado: "E oferecei entretenimento para aqueles que não gostam do evangelho", assim teria acontecido. No entanto, tais palavras não se encontram na Bíblia. Sequer ocorreram à mente do Senhor Jesus. E mais:

"Ele mesmo concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas e outros para pastores e mestres" (Ef 4.11).

Onde aparecem nesse versículo os que providenciariam entretenimento? O Espírito Santo silenciou a respeito deles. Os profetas foram perseguidos porque divertiam as pessoas ou porque recusavam-se a fazê-lo? Os concertos de música não têm um rol de mártires. Novamente, prover entretenimento está em direto antagonismo ao ensino e à vida de Cristo e de seus apóstolos.
Qual era a atitude da igreja em relação ao mundo? "Vós sois o sal", não o "docinho", algo que o mundo desprezará. Pungente e curta foi a afirmação de nosso Senhor:

"Deixa aos mortos o sepultar os seus próprios mortos" (Lucas 9.60).

Ele estava falando com terrível seriedade! Se Cristo houvesse introduzido mais elementos brilhantes e agradáveis em seu ministério, teria sido mais popular em seus resultados, porque seus ensinos eram perscrutadores. Não O vejo dizendo: "Pedro, vá atrás do povo e diga-lhe que teremos um culto diferente amanhã, algo atraente e breve, com pouca pregação. Teremos uma noite agradável para as pessoas. Diga-lhes que com certeza realizaremos esse tipo de culto. Vá logo, Pedro, temos de ganhar as pessoas de alguma maneira!" Jesus teve compaixão dos pecadores, lamentou e chorou por eles, mas nunca procurou diverti-los. Em vão, pesquisaremos as cartas do Novo Testamento a fim de encontrar qualquer indício de um evangelho de entretenimento. A mensagem das cartas é: "Retirai-vos, separai-vos e purificai-vos!" Qualquer coisa que tinha a aparência de brincadeira evidentemente foi deixado fora das cartas. Os apóstolos tinham confiança irrestrita no evangelho e não utilizavam outros instrumentos.
Eles não pararam de pregar a Cristo, por isso não tinham tempo para arranjar entretenimento para seus ouvintes. Espalhados por causa da perseguição, foram a muitos lugares pregando o evangelho. Eles "transtornaram o mundo". Essa é a única diferença! Senhor, limpe a igreja de todo o lixo e baboseira que o diabo impôs sobre ela e traga-nos de volta aos métodos dos apóstolos. Por último, a missão de prover entretenimento falha em conseguir os resultados desejados. Causa danos entre os novos convertidos. Permitam que falem os negligentes e zombadores, que foram alcançados por um evangelho parcial; que falem os cansados e oprimidos que buscaram paz através de um concerto musical. Levante-se e fale o alcoólatra para quem o entretenimento na forma de drama foi um elo no processo de sua conversão! A resposta é óbvia: a missão de prover entretenimento não produz convertidos verdadeiros. A necessidade atual para o ministro do evangelho é uma instrução bíblica fiel, bem como ardente espiritualidade; uma resulta da outra, assim como o fruto procede da raiz. A necessidade de nossa época é a doutrina bíblica, entendida e experimentada de tal modo, que produz devoção verdadeira no íntimo dos convertidos.


Autor: Charles Haddon Spurgeon